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		<title><![CDATA[Sonett-Forum - Olavo Bilac]]></title>
		<link>https://sonett-forum.de/</link>
		<description><![CDATA[Sonett-Forum - https://sonett-forum.de]]></description>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 01:29:53 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[Vírgenes muertas]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=19229</link>
			<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 08:42:01 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=19229</guid>
			<description><![CDATA[Vírgenes muertas<br />
<br />
<br />
	   Cuando muere una virgen una estrella aparece,		<br />
	nueva, en el viejo engaste azul del firmamento,		<br />
	y el alma de la muerta, momento por momento,		<br />
	en el fulgor del astro palpita y resplandece.		<br />
<br />
<br />
	   Vosotros que en parejas y en el recogimiento	 	<br />
	del campo habláis a solas cuando la luz fenece,		<br />
	¡silencio! Ese murmullo que una oración parece		<br />
	remonta el infinito llevado por el viento.		<br />
<br />
<br />
	   Seres de bocas sabias en caricias y amores,		<br />
	que vagáis a través del campo sosegado	 	<br />
	haciendo arder el casto corazón de las flores,		<br />
<br />
<br />
	   ¡piedad! Ellas ven todo de las hondas alturas:		<br />
	vuestra pasión agravia con su impudor osado		<br />
	las que vivieron solas, las que murieron puras!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Vírgenes muertas<br />
<br />
<br />
	   Cuando muere una virgen una estrella aparece,		<br />
	nueva, en el viejo engaste azul del firmamento,		<br />
	y el alma de la muerta, momento por momento,		<br />
	en el fulgor del astro palpita y resplandece.		<br />
<br />
<br />
	   Vosotros que en parejas y en el recogimiento	 	<br />
	del campo habláis a solas cuando la luz fenece,		<br />
	¡silencio! Ese murmullo que una oración parece		<br />
	remonta el infinito llevado por el viento.		<br />
<br />
<br />
	   Seres de bocas sabias en caricias y amores,		<br />
	que vagáis a través del campo sosegado	 	<br />
	haciendo arder el casto corazón de las flores,		<br />
<br />
<br />
	   ¡piedad! Ellas ven todo de las hondas alturas:		<br />
	vuestra pasión agravia con su impudor osado		<br />
	las que vivieron solas, las que murieron puras!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Primavera]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17948</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:40:59 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17948</guid>
			<description><![CDATA[Primavera<br />
<br />
Ah! quem nos dera que isso, como outrora,<br />
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera<br />
que inda juntos pudéssemos agora<br />
ver o desabrochar da primavera!<br />
<br />
Saíamos com os pássaros e a aurora,<br />
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,<br />
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:<br />
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"<br />
<br />
E esse corpo de rosa recendia,<br />
e aos meus beijos de fogo palpitava,<br />
alquebrado de amor e de cansaço...<br />
<br />
A alma da terra gorjeava e ria...<br />
Nascia a primavera...E eu te levava,<br />
primavera de carne, pelo braço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Primavera<br />
<br />
Ah! quem nos dera que isso, como outrora,<br />
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera<br />
que inda juntos pudéssemos agora<br />
ver o desabrochar da primavera!<br />
<br />
Saíamos com os pássaros e a aurora,<br />
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,<br />
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:<br />
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"<br />
<br />
E esse corpo de rosa recendia,<br />
e aos meus beijos de fogo palpitava,<br />
alquebrado de amor e de cansaço...<br />
<br />
A alma da terra gorjeava e ria...<br />
Nascia a primavera...E eu te levava,<br />
primavera de carne, pelo braço!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Última página]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17947</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:40:34 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17947</guid>
			<description><![CDATA[Última página<br />
<br />
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos<br />
Numa palpitação de flores e de ninhos.<br />
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos<br />
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.<br />
<br />
Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,<br />
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;<br />
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,<br />
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...<br />
<br />
Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,<br />
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,<br />
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...<br />
<br />
Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?<br />
Passas as estações e passam as mulheres...<br />
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Última página<br />
<br />
Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos<br />
Numa palpitação de flores e de ninhos.<br />
Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos<br />
(Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos.<br />
<br />
Verão. (Lembras-te Dulce?) À beira-mar, sozinhos,<br />
Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos;<br />
E o outono desfolhava os roseirais vizinhos,<br />
Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos...<br />
<br />
Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos,<br />
Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos,<br />
(Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor...<br />
<br />
Carne, que queres mais? Coração, que mais queres?<br />
Passas as estações e passam as mulheres...<br />
E eu tenho amado tanto! e não conheço o Amor!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Criação]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17946</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:40:08 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17946</guid>
			<description><![CDATA[Criação<br />
<br />
Há no amor um momento de grandeza,<br />
que é de inconsciência e de êxtase bendito:<br />
os dois corpos são toda a Natureza,<br />
as duas almas são todo o Infinito.<br />
<br />
É um mistério de força e de surpresa!<br />
Estala o coração da terra aflito;<br />
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,<br />
e de todos os astros rompe um grito.<br />
<br />
Deus transmite o seu hálito aos amantes:<br />
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,<br />
e a Gênese fulgura em cada abraço;<br />
<br />
Porque, entre as duas bocas soluçantes,<br />
rola todo o Universo, em harmonias<br />
e em florificações, enchendo o espaço!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Criação<br />
<br />
Há no amor um momento de grandeza,<br />
que é de inconsciência e de êxtase bendito:<br />
os dois corpos são toda a Natureza,<br />
as duas almas são todo o Infinito.<br />
<br />
É um mistério de força e de surpresa!<br />
Estala o coração da terra aflito;<br />
rasga-se em luz fecunda a esfera acesa,<br />
e de todos os astros rompe um grito.<br />
<br />
Deus transmite o seu hálito aos amantes:<br />
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,<br />
e a Gênese fulgura em cada abraço;<br />
<br />
Porque, entre as duas bocas soluçantes,<br />
rola todo o Universo, em harmonias<br />
e em florificações, enchendo o espaço!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A Sesta de Nero]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17945</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:39:47 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17945</guid>
			<description><![CDATA[A Sesta de Nero<br />
<br />
Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,<br />
O palácio imperial de pórfiro luzente<br />
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso<br />
Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente.<br />
<br />
Nero no toro ebúrneo estende-se indolente...<br />
Gemas em profusão do estrágulo custoso<br />
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente,<br />
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.<br />
<br />
Formosa ancila canta. A aurilavrada lira<br />
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,<br />
Arde a mirra da Arábia em recendente pira.<br />
<br />
Formas quebram, dançando, escravas em coréia.<br />
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando<br />
Nos alvos seios nus da lúbrica Popéia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A Sesta de Nero<br />
<br />
Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso,<br />
O palácio imperial de pórfiro luzente<br />
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso<br />
Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente.<br />
<br />
Nero no toro ebúrneo estende-se indolente...<br />
Gemas em profusão do estrágulo custoso<br />
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra, ardente,<br />
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso.<br />
<br />
Formosa ancila canta. A aurilavrada lira<br />
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,<br />
Arde a mirra da Arábia em recendente pira.<br />
<br />
Formas quebram, dançando, escravas em coréia.<br />
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando<br />
Nos alvos seios nus da lúbrica Popéia.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A Gonçalves Dias]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17944</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:39:27 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17944</guid>
			<description><![CDATA[A Gonçalves Dias<br />
<br />
Celebraste o domínio soberano<br />
Das grandes tribos, o tropel fremente<br />
Da guerra bruta, o entrechocar insano<br />
Dos tacapes vibrados rijamente,<br />
<br />
O maracá e as flechas, o estridente<br />
Troar da inúbia, e o canitar indiano...<br />
E, eternizando o povo americano,<br />
Vives eterno em teu poema ingente.<br />
<br />
Estes revoltos, largos rios, estas<br />
Zonas fecundas, estas seculares<br />
Verdejantes e amplíssimas florestas<br />
<br />
Guardam teu nome: e a lira que pulsaste<br />
Inda se escuta, a derramar nos ares<br />
O estridor das batalhas que contaste.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A Gonçalves Dias<br />
<br />
Celebraste o domínio soberano<br />
Das grandes tribos, o tropel fremente<br />
Da guerra bruta, o entrechocar insano<br />
Dos tacapes vibrados rijamente,<br />
<br />
O maracá e as flechas, o estridente<br />
Troar da inúbia, e o canitar indiano...<br />
E, eternizando o povo americano,<br />
Vives eterno em teu poema ingente.<br />
<br />
Estes revoltos, largos rios, estas<br />
Zonas fecundas, estas seculares<br />
Verdejantes e amplíssimas florestas<br />
<br />
Guardam teu nome: e a lira que pulsaste<br />
Inda se escuta, a derramar nos ares<br />
O estridor das batalhas que contaste.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Beethoven Surdo]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17943</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:39:07 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17943</guid>
			<description><![CDATA[Beethoven Surdo<br />
<br />
Surdo, na universal indiferença, um dia,<br />
Beethoven, levantando um desvairado apelo,<br />
Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo.<br />
E o seu mundo interior cantava e restrugia.<br />
<br />
Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,<br />
Viu, sobre a orquestração que no seu crânio havia,<br />
Os astros em torpor na imensidade fria,<br />
O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.<br />
<br />
Era o nada, a eversão do caos no cataclismo,<br />
A síncope do som no páramo profundo,<br />
O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo.<br />
<br />
E Beethoven, no seu supremo desconforto,<br />
Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,<br />
Lançando a maldição sobre o universo morto!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Beethoven Surdo<br />
<br />
Surdo, na universal indiferença, um dia,<br />
Beethoven, levantando um desvairado apelo,<br />
Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo.<br />
E o seu mundo interior cantava e restrugia.<br />
<br />
Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,<br />
Viu, sobre a orquestração que no seu crânio havia,<br />
Os astros em torpor na imensidade fria,<br />
O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.<br />
<br />
Era o nada, a eversão do caos no cataclismo,<br />
A síncope do som no páramo profundo,<br />
O silêncio, a algidez, o vácuo, o horror no abismo.<br />
<br />
E Beethoven, no seu supremo desconforto,<br />
Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,<br />
Lançando a maldição sobre o universo morto!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[A Goethe.]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17942</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:38:45 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17942</guid>
			<description><![CDATA[A Goethe.<br />
<br />
Quando te leio, as cenas animadas<br />
Por teu gênio, as paisagens que imaginas,<br />
Cheias de vida, avultam repentinas,<br />
Claramente aos meus olhos desdobradas.<br />
<br />
Vejo o céu, vejo as serras coroadas<br />
De gelo, e o sol que o manto das neblinas<br />
Rompe, aquecendo as frígidas campinas<br />
E iluminando os vales e as estradas.<br />
<br />
Ouço o rumor soturno da charrúa,<br />
E os rouxinóis que, no carvalho erguido,<br />
A voz modulam de ternuras cheia.<br />
<br />
E vejo, à luz tristíssima da lua,<br />
Hermann que cisma, pálido, embebido<br />
No meigo olhar da loura Dorothéa...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A Goethe.<br />
<br />
Quando te leio, as cenas animadas<br />
Por teu gênio, as paisagens que imaginas,<br />
Cheias de vida, avultam repentinas,<br />
Claramente aos meus olhos desdobradas.<br />
<br />
Vejo o céu, vejo as serras coroadas<br />
De gelo, e o sol que o manto das neblinas<br />
Rompe, aquecendo as frígidas campinas<br />
E iluminando os vales e as estradas.<br />
<br />
Ouço o rumor soturno da charrúa,<br />
E os rouxinóis que, no carvalho erguido,<br />
A voz modulam de ternuras cheia.<br />
<br />
E vejo, à luz tristíssima da lua,<br />
Hermann que cisma, pálido, embebido<br />
No meigo olhar da loura Dorothéa...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Inda hoje, o livro do passado abrindo,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17941</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:38:22 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17941</guid>
			<description><![CDATA[Inda hoje, o livro do passado abrindo,<br />
Lembro-as e punge-me a lembrança delas;<br />
Lembro-as, e vejo-as, como as vi partindo,<br />
Estas cantando, soluçando aquelas.<br />
<br />
Umas, de meigo olhar piedoso e lindo,<br />
Sob as rosas de neve das capelas;<br />
Outras, de lábios de coral, sorrindo,<br />
Desnudo o seio, lúbricas e belas...<br />
<br />
Todas, formosas como tu, chegaram,<br />
Partiram... e, ao partir, dentro em meu seio<br />
Todo o veneno da paixão deixaram.<br />
<br />
Mas, ah! nenhuma teve o teu encanto,<br />
Nem teve olhar como esse olhar, tão cheio<br />
De luz tão viva, que abrasasse tanto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Inda hoje, o livro do passado abrindo,<br />
Lembro-as e punge-me a lembrança delas;<br />
Lembro-as, e vejo-as, como as vi partindo,<br />
Estas cantando, soluçando aquelas.<br />
<br />
Umas, de meigo olhar piedoso e lindo,<br />
Sob as rosas de neve das capelas;<br />
Outras, de lábios de coral, sorrindo,<br />
Desnudo o seio, lúbricas e belas...<br />
<br />
Todas, formosas como tu, chegaram,<br />
Partiram... e, ao partir, dentro em meu seio<br />
Todo o veneno da paixão deixaram.<br />
<br />
Mas, ah! nenhuma teve o teu encanto,<br />
Nem teve olhar como esse olhar, tão cheio<br />
De luz tão viva, que abrasasse tanto.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Viver não pude sem que o fel provasse]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17940</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:38:00 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17940</guid>
			<description><![CDATA[Viver não pude sem que o fel provasse<br />
Desse outro amor que nos perverte e engana:<br />
Porque homem sou, e homem não há que passe<br />
Virgem de todo pela vida humana.<br />
<br />
Por que tanta serpente atra e profana<br />
Dentro d'alma deixei que se aninhasse?<br />
Por que, abrasado de uma sede insana,<br />
A impuros lábios entreguei a face?<br />
<br />
Depois dos lábios sôfregos e ardentes,<br />
Senti duro castigo aos meus desejos <br />
O gume fino de perversos dentes...<br />
<br />
E não posso das faces poluídas<br />
Apagar os vestígios desses beijos<br />
E os sangrentos sinais dessas feridas!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Viver não pude sem que o fel provasse<br />
Desse outro amor que nos perverte e engana:<br />
Porque homem sou, e homem não há que passe<br />
Virgem de todo pela vida humana.<br />
<br />
Por que tanta serpente atra e profana<br />
Dentro d'alma deixei que se aninhasse?<br />
Por que, abrasado de uma sede insana,<br />
A impuros lábios entreguei a face?<br />
<br />
Depois dos lábios sôfregos e ardentes,<br />
Senti duro castigo aos meus desejos <br />
O gume fino de perversos dentes...<br />
<br />
E não posso das faces poluídas<br />
Apagar os vestígios desses beijos<br />
E os sangrentos sinais dessas feridas!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[O Incêndio de Roma]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17939</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:37:38 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17939</guid>
			<description><![CDATA[O Incêndio de Roma<br />
<br />
Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,<br />
As muralhas de pedra, o espaço adormecido<br />
De eco em eco acordando ao medonho estampido,<br />
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.<br />
<br />
E os templos, os museus, o Capitólio erguido<br />
Em mármor frígio, o Foro, as erectas arcadas<br />
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas<br />
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.<br />
<br />
Longe, reverberando o clarão purpurino,<br />
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte.<br />
Impassível, porém, no alto do Palatino,<br />
<br />
Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma<br />
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,<br />
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[O Incêndio de Roma<br />
<br />
Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,<br />
As muralhas de pedra, o espaço adormecido<br />
De eco em eco acordando ao medonho estampido,<br />
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.<br />
<br />
E os templos, os museus, o Capitólio erguido<br />
Em mármor frígio, o Foro, as erectas arcadas<br />
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas<br />
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.<br />
<br />
Longe, reverberando o clarão purpurino,<br />
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte.<br />
Impassível, porém, no alto do Palatino,<br />
<br />
Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma<br />
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,<br />
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sonhei que me esperavas. E, sonhando,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17938</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:37:17 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17938</guid>
			<description><![CDATA[Sonhei que me esperavas. E, sonhando,<br />
Saí, ansioso por te ver: corria...<br />
E tudo, ao ver-me tão depressa andando,<br />
Soube logo o lugar para onde eu ia.<br />
<br />
E tudo me falou, tudo! Escutando<br />
Meus passos, através da ramaria,<br />
Dos despertados pássaros o bando:<br />
"Vai mais depressa! Parabéns!" dizia.<br />
<br />
Disse o luar: "Espera! que eu te sigo:<br />
Quero também beijar as faces dela!"<br />
E disse o aroma: "Vai, que eu vou contigo!"<br />
<br />
E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela:<br />
"Como és feliz! como és feliz, amigo,<br />
Que de tão perto vais ouvi-la e vê-la!"]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Sonhei que me esperavas. E, sonhando,<br />
Saí, ansioso por te ver: corria...<br />
E tudo, ao ver-me tão depressa andando,<br />
Soube logo o lugar para onde eu ia.<br />
<br />
E tudo me falou, tudo! Escutando<br />
Meus passos, através da ramaria,<br />
Dos despertados pássaros o bando:<br />
"Vai mais depressa! Parabéns!" dizia.<br />
<br />
Disse o luar: "Espera! que eu te sigo:<br />
Quero também beijar as faces dela!"<br />
E disse o aroma: "Vai, que eu vou contigo!"<br />
<br />
E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela:<br />
"Como és feliz! como és feliz, amigo,<br />
Que de tão perto vais ouvi-la e vê-la!"]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Todos esses louvores, bem o viste,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17937</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:36:53 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17937</guid>
			<description><![CDATA[Todos esses louvores, bem o viste,<br />
Não conseguiram demudar-me o aspecto:<br />
Só me turbou esse louvor discreto<br />
Que no volver dos olhos traduziste...<br />
<br />
Inda bem que entendeste o meu afeto<br />
E, através destas rimas, pressentiste<br />
Meu coração que palpitava, triste,<br />
E o mal que havia dentro em mim secreto.<br />
<br />
Ai de mim, se de lágrimas inúteis<br />
Estes versos banhasse, ambicionando<br />
Das néscias turbas os aplausos fúteis!<br />
<br />
Dou-me por pago, se um olhar lhes deres:<br />
Fi-los pensando em ti, fi-los pensando<br />
Na mais pura de todas as mulheres.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Todos esses louvores, bem o viste,<br />
Não conseguiram demudar-me o aspecto:<br />
Só me turbou esse louvor discreto<br />
Que no volver dos olhos traduziste...<br />
<br />
Inda bem que entendeste o meu afeto<br />
E, através destas rimas, pressentiste<br />
Meu coração que palpitava, triste,<br />
E o mal que havia dentro em mim secreto.<br />
<br />
Ai de mim, se de lágrimas inúteis<br />
Estes versos banhasse, ambicionando<br />
Das néscias turbas os aplausos fúteis!<br />
<br />
Dou-me por pago, se um olhar lhes deres:<br />
Fi-los pensando em ti, fi-los pensando<br />
Na mais pura de todas as mulheres.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Quarenta Anos]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17936</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:36:23 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17936</guid>
			<description><![CDATA[Quarenta Anos<br />
<br />
Sim! como um dia de verão, de acesa<br />
Luz, de acesos e cálidos fulgores,<br />
Como os sorrisos da estação das flores,<br />
Foi passando também tua beleza.<br />
<br />
Hoje, das garras da descrença presa,<br />
Perdes as ilusões. Vão-se-te as cores<br />
Da face. E entram-te n'alma os dissabores,<br />
Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.<br />
<br />
Expira a primavera, O sol fulgura<br />
Com o brilho extremo. . . E aí vêm as noites frias,<br />
Aí vem o inverno da velhice escura...<br />
<br />
Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias,<br />
Que o sol poente dessa formosura<br />
Volvesse à aurora dos primeiros dias!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Quarenta Anos<br />
<br />
Sim! como um dia de verão, de acesa<br />
Luz, de acesos e cálidos fulgores,<br />
Como os sorrisos da estação das flores,<br />
Foi passando também tua beleza.<br />
<br />
Hoje, das garras da descrença presa,<br />
Perdes as ilusões. Vão-se-te as cores<br />
Da face. E entram-te n'alma os dissabores,<br />
Nublam-te o olhar as sombras da tristeza.<br />
<br />
Expira a primavera, O sol fulgura<br />
Com o brilho extremo. . . E aí vêm as noites frias,<br />
Aí vem o inverno da velhice escura...<br />
<br />
Ah! pudesse eu fazer, novo Ezequias,<br />
Que o sol poente dessa formosura<br />
Volvesse à aurora dos primeiros dias!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Na Tebaida]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17935</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:36:01 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17935</guid>
			<description><![CDATA[Na Tebaida<br />
<br />
Chegas, com os olhos úmidos, tremente<br />
A voz, os seios nus, como a rainha<br />
Que ao ermo frio da Tebaida vinha<br />
Trazer a tentação do amor ardente.<br />
<br />
Luto: porém teu corpo se avizinha<br />
Do meu, e o enlaça como uma serpente..<br />
Fujo: porém a boca prendes, quente,<br />
Cheia de beijos, palpitante, à minha...<br />
<br />
Beija mais, que o teu beijo me incendeia!<br />
Aperta os braços mais! que eu tenha a morte,<br />
Preso nos laços de prisão tão doce!<br />
<br />
Aperta os braços mais, frágil cadeia<br />
Que tanta força tem não sendo forte,<br />
E prende mais que se de ferro fosse!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Na Tebaida<br />
<br />
Chegas, com os olhos úmidos, tremente<br />
A voz, os seios nus, como a rainha<br />
Que ao ermo frio da Tebaida vinha<br />
Trazer a tentação do amor ardente.<br />
<br />
Luto: porém teu corpo se avizinha<br />
Do meu, e o enlaça como uma serpente..<br />
Fujo: porém a boca prendes, quente,<br />
Cheia de beijos, palpitante, à minha...<br />
<br />
Beija mais, que o teu beijo me incendeia!<br />
Aperta os braços mais! que eu tenha a morte,<br />
Preso nos laços de prisão tão doce!<br />
<br />
Aperta os braços mais, frágil cadeia<br />
Que tanta força tem não sendo forte,<br />
E prende mais que se de ferro fosse!]]></content:encoded>
		</item>
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