<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
	<channel>
		<title><![CDATA[Sonett-Forum - Manuel Bocage]]></title>
		<link>https://sonett-forum.de/</link>
		<description><![CDATA[Sonett-Forum - https://sonett-forum.de]]></description>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 01:29:53 +0000</pubDate>
		<generator>MyBB</generator>
		<item>
			<title><![CDATA[Em sórdida masmorra aferrolhado,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17891</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:17:45 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17891</guid>
			<description><![CDATA[Em sórdida masmorra aferrolhado,<br />
De cadeias aspérrimas cingido,<br />
Por ferozes contrários perseguido,<br />
Por línguas impostoras criminado:<br />
<br />
Os membros quase nus, o aspecto honrado<br />
Por vil boca, e vil mão roto, e cuspido,<br />
Sem ver um só mortal compadecido<br />
De seu funesto, rigoroso estado:<br />
<br />
O penetrante, o bárbaro instrumento<br />
De atroz, violenta, inevitável morte<br />
Olhando já na mão do algoz cruento:<br />
<br />
Inda assim, não maldiz a iníqua sorte<br />
Inda assim tem prazer, sossego, alento,<br />
O sábio verdadeiro, o justo, o forte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Em sórdida masmorra aferrolhado,<br />
De cadeias aspérrimas cingido,<br />
Por ferozes contrários perseguido,<br />
Por línguas impostoras criminado:<br />
<br />
Os membros quase nus, o aspecto honrado<br />
Por vil boca, e vil mão roto, e cuspido,<br />
Sem ver um só mortal compadecido<br />
De seu funesto, rigoroso estado:<br />
<br />
O penetrante, o bárbaro instrumento<br />
De atroz, violenta, inevitável morte<br />
Olhando já na mão do algoz cruento:<br />
<br />
Inda assim, não maldiz a iníqua sorte<br />
Inda assim tem prazer, sossego, alento,<br />
O sábio verdadeiro, o justo, o forte.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Neste horrível sepulcro da existência]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17890</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:17:16 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17890</guid>
			<description><![CDATA[Neste horrível sepulcro da existência<br />
O triste coração de dor se parte;<br />
A mesquinha razão se vê sem arte,<br />
Com que dome a frenética impaciência:<br />
<br />
Aqui pela opressão, pela violência<br />
Que em todos os sentidos se reparte,<br />
Transitório poder que imitar-te,<br />
Eterna, vingadora omnipotência!<br />
<br />
Aqui onde o peito abrange, e sente,<br />
Na mais ampla expressão acha estreiteza,<br />
Negra idéia do abismo assombra a mente.<br />
<br />
Difere acaso da infernal tristeza<br />
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,<br />
Ser vivo, e não gozar da Natureza ?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Neste horrível sepulcro da existência<br />
O triste coração de dor se parte;<br />
A mesquinha razão se vê sem arte,<br />
Com que dome a frenética impaciência:<br />
<br />
Aqui pela opressão, pela violência<br />
Que em todos os sentidos se reparte,<br />
Transitório poder que imitar-te,<br />
Eterna, vingadora omnipotência!<br />
<br />
Aqui onde o peito abrange, e sente,<br />
Na mais ampla expressão acha estreiteza,<br />
Negra idéia do abismo assombra a mente.<br />
<br />
Difere acaso da infernal tristeza<br />
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,<br />
Ser vivo, e não gozar da Natureza ?]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Importuna Razão, não me persigas;]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17889</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:16:57 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17889</guid>
			<description><![CDATA[Importuna Razão, não me persigas;<br />
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;<br />
Se a lei de Amor, se a força da ternura<br />
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:<br />
<br />
Se acusas os mortais, e os não abrigas,<br />
Se ( conhecendo o mal ) não dás a cura,<br />
Deixa-me apreciar minha loucura,<br />
Importuna Razão, não me persigas.<br />
<br />
É teu fim, teu projecto encher de pejo<br />
Esta alma, frágil vítima daquela<br />
Que, injusta e vária, noutros laços vejo:<br />
<br />
Queres que fuja de Marília bela,<br />
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo<br />
É carpir, delirar, morrer por ela.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Importuna Razão, não me persigas;<br />
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;<br />
Se a lei de Amor, se a força da ternura<br />
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas:<br />
<br />
Se acusas os mortais, e os não abrigas,<br />
Se ( conhecendo o mal ) não dás a cura,<br />
Deixa-me apreciar minha loucura,<br />
Importuna Razão, não me persigas.<br />
<br />
É teu fim, teu projecto encher de pejo<br />
Esta alma, frágil vítima daquela<br />
Que, injusta e vária, noutros laços vejo:<br />
<br />
Queres que fuja de Marília bela,<br />
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo<br />
É carpir, delirar, morrer por ela.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Nos campos o vilão sem susto passa]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17888</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:15:49 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17888</guid>
			<description><![CDATA[Nos campos o vilão sem susto passa<br />
inquieto na corte o nobre mora;<br />
o que é ser infeliz aquele ignora,<br />
este encontra nas pompas a desgraça;<br />
<br />
aquele canta e ri, não se embaraça<br />
com essas coisas vãs que o mundo adora;<br />
este (oh cega ambição!) mil vezes chora,<br />
porque não acha bem que o satisfaça;<br />
<br />
aquele dorme em paz no chão deitado,<br />
este no ebúrneo leito precioso<br />
nutre, exaspera velador cuidado,<br />
<br />
triste, sai do palácio majestoso.<br />
Se hás-de ser cortesão mas desgraçado,<br />
anter ser camponês e venturoso.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Nos campos o vilão sem susto passa<br />
inquieto na corte o nobre mora;<br />
o que é ser infeliz aquele ignora,<br />
este encontra nas pompas a desgraça;<br />
<br />
aquele canta e ri, não se embaraça<br />
com essas coisas vãs que o mundo adora;<br />
este (oh cega ambição!) mil vezes chora,<br />
porque não acha bem que o satisfaça;<br />
<br />
aquele dorme em paz no chão deitado,<br />
este no ebúrneo leito precioso<br />
nutre, exaspera velador cuidado,<br />
<br />
triste, sai do palácio majestoso.<br />
Se hás-de ser cortesão mas desgraçado,<br />
anter ser camponês e venturoso.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Vós, crédulos mortais, alucinados]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17887</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:15:30 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17887</guid>
			<description><![CDATA[Vós, crédulos mortais, alucinados<br />
de sonhos, de quimeras, de aparências<br />
colheis por uso erradas consequências<br />
dos acontecimentos desastrados.<br />
<br />
Se à perdição correis precipitados<br />
por cegas, por fogosas, impaciências,<br />
indo a cair, gritais que são violências<br />
de inexoráveis céus, de negros fados.<br />
<br />
Se um celeste poder tirano e duro<br />
às vezes extorquisse as liberdades,<br />
que prestava, ó Razão, teu lume puro?<br />
<br />
Não forçam corações as divindades,<br />
fado amigo não há nem fado escuro:<br />
fados são as paixões, são as vontades.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Vós, crédulos mortais, alucinados<br />
de sonhos, de quimeras, de aparências<br />
colheis por uso erradas consequências<br />
dos acontecimentos desastrados.<br />
<br />
Se à perdição correis precipitados<br />
por cegas, por fogosas, impaciências,<br />
indo a cair, gritais que são violências<br />
de inexoráveis céus, de negros fados.<br />
<br />
Se um celeste poder tirano e duro<br />
às vezes extorquisse as liberdades,<br />
que prestava, ó Razão, teu lume puro?<br />
<br />
Não forçam corações as divindades,<br />
fado amigo não há nem fado escuro:<br />
fados são as paixões, são as vontades.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Preside o neto da rainha Ginga]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17886</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:15:00 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17886</guid>
			<description><![CDATA[Preside o neto da rainha Ginga<br />
À corja vil, aduladora, insana.<br />
Traz sujo moço amostras de chanfana,<br />
Em copos desiguais se esgota a pinga.<br />
<br />
Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;<br />
Masca farinha a turba americana;<br />
E o oragotango a corda à banza abana,<br />
Com gesto e visagens de mandinga.<br />
<br />
Um bando de comparsas logo acode<br />
Do fofo Conde ao novo Talaveiras;<br />
Improvisa berrando o rouco bode.<br />
<br />
Aplaudem de contínuo as frioleiras<br />
Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.<br />
Eis aqui de Lereno as quartas-feiras.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Preside o neto da rainha Ginga<br />
À corja vil, aduladora, insana.<br />
Traz sujo moço amostras de chanfana,<br />
Em copos desiguais se esgota a pinga.<br />
<br />
Vem pão, manteiga e chá, tudo à catinga;<br />
Masca farinha a turba americana;<br />
E o oragotango a corda à banza abana,<br />
Com gesto e visagens de mandinga.<br />
<br />
Um bando de comparsas logo acode<br />
Do fofo Conde ao novo Talaveiras;<br />
Improvisa berrando o rouco bode.<br />
<br />
Aplaudem de contínuo as frioleiras<br />
Belmiro em ditirambo, o ex-frade em ode.<br />
Eis aqui de Lereno as quartas-feiras.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sanhudo, inexorável Despotismo]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17885</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:14:40 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17885</guid>
			<description><![CDATA[Sanhudo, inexorável Despotismo<br />
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,<br />
Que em mil quadros horríficos te enlevas,<br />
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:<br />
<br />
Assanhas o danado Fanatismo,<br />
Porque te escore o trono onde te enlevas;<br />
Por que o sol da Verdade envolva em trevas<br />
E sepulte a Razão num denso abismo.<br />
<br />
Da sagrada Virtude o colo pisas,<br />
E aos satélites vis da prepotência<br />
De crimes infernais o plano gizas,<br />
<br />
Mas, apesar da bárbara insolência,<br />
Reinas só no ext'rior, não tiranizas<br />
Do livre coração a independência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Sanhudo, inexorável Despotismo<br />
Monstro que em pranto, em sangue a fúria cevas,<br />
Que em mil quadros horríficos te enlevas,<br />
Obra da Iniquidade e do Ateísmo:<br />
<br />
Assanhas o danado Fanatismo,<br />
Porque te escore o trono onde te enlevas;<br />
Por que o sol da Verdade envolva em trevas<br />
E sepulte a Razão num denso abismo.<br />
<br />
Da sagrada Virtude o colo pisas,<br />
E aos satélites vis da prepotência<br />
De crimes infernais o plano gizas,<br />
<br />
Mas, apesar da bárbara insolência,<br />
Reinas só no ext'rior, não tiranizas<br />
Do livre coração a independência.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Incultas produções da mocidade]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17884</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:14:18 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17884</guid>
			<description><![CDATA[Incultas produções da mocidade<br />
Exponho a vossos olhos, ó leitores:<br />
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,<br />
Que elas buscam piedade, e não louvores:<br />
<br />
Ponderai da Fortuna a variedade<br />
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;<br />
Notai dos males seus a imensidade,<br />
A curta duração de seus favores:<br />
<br />
E se entre versos mil de sentimento<br />
Encontrardes alguns cuja aparência<br />
Indique festival contentamento,<br />
<br />
Crede, ó mortais, que foram com violência<br />
Escritos pela mão do Fingimento,<br />
Cantados pela voz da Dependência.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Incultas produções da mocidade<br />
Exponho a vossos olhos, ó leitores:<br />
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,<br />
Que elas buscam piedade, e não louvores:<br />
<br />
Ponderai da Fortuna a variedade<br />
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;<br />
Notai dos males seus a imensidade,<br />
A curta duração de seus favores:<br />
<br />
E se entre versos mil de sentimento<br />
Encontrardes alguns cuja aparência<br />
Indique festival contentamento,<br />
<br />
Crede, ó mortais, que foram com violência<br />
Escritos pela mão do Fingimento,<br />
Cantados pela voz da Dependência.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Camões, grande Camões, quão semelhante]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17883</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:13:54 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17883</guid>
			<description><![CDATA[Camões, grande Camões, quão semelhante <br />
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo! <br />
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, <br />
Arrostar co'o sacrílego gigante. <br />
<br />
Como tu, junto ao Ganges sussurante, <br />
Da penúria cruel no horror me vejo. <br />
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,<br />
Também carpindo estou, saudoso amante. <br />
<br />
Ludíbrio, como tu, da Sorte dura <br />
Meu fim demando ao Céu, pela certeza <br />
De que só terei paz na sepultura. <br />
<br />
Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!... <br />
Se te imito nos transes da Ventura, <br />
Não te imito nos dons da Natureza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Camões, grande Camões, quão semelhante <br />
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo! <br />
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo, <br />
Arrostar co'o sacrílego gigante. <br />
<br />
Como tu, junto ao Ganges sussurante, <br />
Da penúria cruel no horror me vejo. <br />
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,<br />
Também carpindo estou, saudoso amante. <br />
<br />
Ludíbrio, como tu, da Sorte dura <br />
Meu fim demando ao Céu, pela certeza <br />
De que só terei paz na sepultura. <br />
<br />
Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!... <br />
Se te imito nos transes da Ventura, <br />
Não te imito nos dons da Natureza.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Ó tranças de que Amor prisões me tece,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17882</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:13:35 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17882</guid>
			<description><![CDATA[Ó tranças de que Amor prisões me tece,<br />
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!<br />
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,<br />
Onde o menino alígero adormece!<br />
<br />
Ó ledos olhos, cuja luz parece<br />
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,<br />
De rosas e açucenas semeado,<br />
Por quem morrera esta alma, se pudesse!<br />
<br />
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,<br />
E por cujos dulcíssimos favores<br />
Talvez o próprio Júpiter suspira!<br />
<br />
Ó perfeições! Ó dons encantadores!<br />
De quem sois? Sois de Vênus? - É mentira;<br />
Sois de Marília, sois dos meus amores.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Ó tranças de que Amor prisões me tece,<br />
Ó mãos de neve, que regeis meu fado!<br />
Ó tesouro! Ó mistério! Ó par sagrado,<br />
Onde o menino alígero adormece!<br />
<br />
Ó ledos olhos, cuja luz parece<br />
Tênue raio de sol! Ó gesto amado,<br />
De rosas e açucenas semeado,<br />
Por quem morrera esta alma, se pudesse!<br />
<br />
Ó lábios, cujo riso a paz me tira,<br />
E por cujos dulcíssimos favores<br />
Talvez o próprio Júpiter suspira!<br />
<br />
Ó perfeições! Ó dons encantadores!<br />
De quem sois? Sois de Vênus? - É mentira;<br />
Sois de Marília, sois dos meus amores.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Apenas vi do dia a luz brilhante]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17881</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:13:17 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17881</guid>
			<description><![CDATA[Apenas vi do dia a luz brilhante<br />
Lá de Túbal no empório celebrado,<br />
Em sanguíneo carácter foi marcado<br />
Pelos Destinos meu primeiro instante.<br />
<br />
Aos dois lustros a morte devorante<br />
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;<br />
Segui Marte depois, e em fim meu fado<br />
Dos irmãos e do pai me pôs distante.<br />
<br />
Vagando a curva terra, o mar profundo,<br />
Longe da pátria, longe da ventura,<br />
Minhas faces com lágrimas inundo.<br />
<br />
E enquanto insana multidão procura<br />
Essas quimeras, esses bens do mundo,<br />
Suspiro pela paz da sepultura.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Apenas vi do dia a luz brilhante<br />
Lá de Túbal no empório celebrado,<br />
Em sanguíneo carácter foi marcado<br />
Pelos Destinos meu primeiro instante.<br />
<br />
Aos dois lustros a morte devorante<br />
Me roubou, terna mãe, teu doce agrado;<br />
Segui Marte depois, e em fim meu fado<br />
Dos irmãos e do pai me pôs distante.<br />
<br />
Vagando a curva terra, o mar profundo,<br />
Longe da pátria, longe da ventura,<br />
Minhas faces com lágrimas inundo.<br />
<br />
E enquanto insana multidão procura<br />
Essas quimeras, esses bens do mundo,<br />
Suspiro pela paz da sepultura.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Ó trevas, que enlutais a Natureza,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17880</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:12:55 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17880</guid>
			<description><![CDATA[Ó trevas, que enlutais a Natureza,<br />
Longos ciprestes desta selva anosa,<br />
Mochos de voz sinistra e lamentosa,<br />
Que dissolveis dos fados a incerteza;<br />
<br />
Manes, surgidos da morada acesa<br />
Onde de horror sem fim Plutão se goza,<br />
Não aterreis esta alma dolorosa,<br />
Que é mais triste que voz minha tristeza.<br />
<br />
Perdi o galardão da fé mais pura,<br />
Esperanças frustrei do amor mais terno,<br />
A posse de celeste formosura.<br />
<br />
Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;<br />
E, lamentando a minha desventura,<br />
Movereis à piedade o mesmo Inferno.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Ó trevas, que enlutais a Natureza,<br />
Longos ciprestes desta selva anosa,<br />
Mochos de voz sinistra e lamentosa,<br />
Que dissolveis dos fados a incerteza;<br />
<br />
Manes, surgidos da morada acesa<br />
Onde de horror sem fim Plutão se goza,<br />
Não aterreis esta alma dolorosa,<br />
Que é mais triste que voz minha tristeza.<br />
<br />
Perdi o galardão da fé mais pura,<br />
Esperanças frustrei do amor mais terno,<br />
A posse de celeste formosura.<br />
<br />
Volvei, pois, sombras vãs, ao fogo eterno;<br />
E, lamentando a minha desventura,<br />
Movereis à piedade o mesmo Inferno.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[O céu, de opacas sombras abafado,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17879</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:12:38 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17879</guid>
			<description><![CDATA[O céu, de opacas sombras abafado,<br />
Tornando mais medonha a noite fea,<br />
Mugindo sobre as rochas, que saltea,<br />
O mar, em crespos montes levantado;<br />
<br />
Desfeito em furacões o vento irado;<br />
Pelos ares zunindo a solta area;<br />
O pássaro nocturno, que vozea<br />
No agoireiro cipreste além pousado;<br />
<br />
Formam quadro terrível, mas aceito,<br />
Mas grato aos olhos meus, grato à fereza<br />
Do ciúme e saudade, a que ando afeito.<br />
<br />
Quer no horror igualar-me a Natureza;<br />
Porém cansa-se em vão, que no meu peito<br />
Há mais escuridade, há mais tristeza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[O céu, de opacas sombras abafado,<br />
Tornando mais medonha a noite fea,<br />
Mugindo sobre as rochas, que saltea,<br />
O mar, em crespos montes levantado;<br />
<br />
Desfeito em furacões o vento irado;<br />
Pelos ares zunindo a solta area;<br />
O pássaro nocturno, que vozea<br />
No agoireiro cipreste além pousado;<br />
<br />
Formam quadro terrível, mas aceito,<br />
Mas grato aos olhos meus, grato à fereza<br />
Do ciúme e saudade, a que ando afeito.<br />
<br />
Quer no horror igualar-me a Natureza;<br />
Porém cansa-se em vão, que no meu peito<br />
Há mais escuridade, há mais tristeza.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Sobre estas duras, cavernosas fragas,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17878</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:12:17 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17878</guid>
			<description><![CDATA[Sobre estas duras, cavernosas fragas,<br />
Que o marinho furor vai carcomendo,<br />
Me estão negras paixões n'alma fervendo<br />
Como fervem no pego as crespas vagas.<br />
<br />
Razão feroz, o coração me indagas,<br />
De meus erros e sombra esclarecendo,<br />
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo<br />
De agudas ânsias venenosas chagas.<br />
<br />
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,<br />
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,<br />
Solto gemidos, lágrimas derramo.<br />
<br />
Razão, de que me serve o teu socorro?<br />
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;<br />
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Sobre estas duras, cavernosas fragas,<br />
Que o marinho furor vai carcomendo,<br />
Me estão negras paixões n'alma fervendo<br />
Como fervem no pego as crespas vagas.<br />
<br />
Razão feroz, o coração me indagas,<br />
De meus erros e sombra esclarecendo,<br />
E vás nele (ai de mim!) palpando, e vendo<br />
De agudas ânsias venenosas chagas.<br />
<br />
Cego a meus males, surdo a teu reclamo,<br />
Mil objectos de horror co'a ideia eu corro,<br />
Solto gemidos, lágrimas derramo.<br />
<br />
Razão, de que me serve o teu socorro?<br />
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;<br />
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Magro, de olhos azuis, carão moreno,]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17877</link>
			<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 09:11:56 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=17877</guid>
			<description><![CDATA[Magro, de olhos azuis, carão moreno,<br />
Bem servido de pés, meão na altura,<br />
Triste de facha, o mesmo de figura,<br />
Nariz alto no meio, e não pequeno;<br />
<br />
Incapaz de assistir num só terreno,<br />
Mais propenso ao furor do que à ternura,<br />
Bebendo em níveas mãos por taça escura<br />
De zelos infernais letal veneno;<br />
<br />
Devoto incensador de mil deidades<br />
(Digo, de moças mil) num só momento,<br />
E somente no altar amando os frades;<br />
<br />
Eis Bocage, em quem luz algum talento;<br />
Saíram dele mesmo estas verdades<br />
Num dia em que se achou mais pachorrento.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Magro, de olhos azuis, carão moreno,<br />
Bem servido de pés, meão na altura,<br />
Triste de facha, o mesmo de figura,<br />
Nariz alto no meio, e não pequeno;<br />
<br />
Incapaz de assistir num só terreno,<br />
Mais propenso ao furor do que à ternura,<br />
Bebendo em níveas mãos por taça escura<br />
De zelos infernais letal veneno;<br />
<br />
Devoto incensador de mil deidades<br />
(Digo, de moças mil) num só momento,<br />
E somente no altar amando os frades;<br />
<br />
Eis Bocage, em quem luz algum talento;<br />
Saíram dele mesmo estas verdades<br />
Num dia em que se achou mais pachorrento.]]></content:encoded>
		</item>
	</channel>
</rss>