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		<title><![CDATA[Sonett-Forum - Auta de Souza]]></title>
		<link>https://sonett-forum.de/</link>
		<description><![CDATA[Sonett-Forum - https://sonett-forum.de]]></description>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 19:45:42 +0000</pubDate>
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		<item>
			<title><![CDATA[NEVER MORE (2)]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22606</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:10:38 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22606</guid>
			<description><![CDATA[NEVER MORE <br />
<br />
 A uma falsa amiga <br />
<br />
 I <br />
<br />
 Não te perdôo, não, meu tristes olhos <br />
 Não mais hei de fitar nos teus, sorrindo: <br />
 Jamais minh'alma sobre um mar de escolhos <br />
 Há de chamar por ti no anseio infindo. <br />
<br />
 Jamais, jamais, nos delicados folhos <br />
 Do coração como n'um ramo lindo, <br />
 Há de cantar teu nome entre os abrolhos <br />
 A ária gentil de meu sonhar já findo. <br />
<br />
 Não te perdôo, não! E em tardes claras, <br />
 Cheias de sonhos e delícias raras, <br />
 Quando eu passar à hora do Sol posto: <br />
<br />
 Não rias para mim que sofro e penso, <br />
 Deixa-me só neste deserto imenso... <br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto!<br />
<br />
<br />
NEVER MORE - II <br />
<br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto! <br />
 E nem sequer o som de tua fala <br />
 Ouvir de manso à hora do Sol posto <br />
 Quando a Tristeza já do Céu resvala! <br />
<br />
 Talvez assim o fúnebre desgosto <br />
 Que eternamente a alma me avassala <br />
 Se transformasse n'um luar de Agosto, <br />
 Sonho perene que a Ventura embala. <br />
<br />
 Talvez o riso me voltasse à boca <br />
 E se extinguisse essa amargura louca <br />
 De tanta dor que a minha vida junca... <br />
<br />
 E, então, os dias de prazer voltassem <br />
 E nunca mais os olhos meus chorassem... <br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver-te, nunca!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[NEVER MORE <br />
<br />
 A uma falsa amiga <br />
<br />
 I <br />
<br />
 Não te perdôo, não, meu tristes olhos <br />
 Não mais hei de fitar nos teus, sorrindo: <br />
 Jamais minh'alma sobre um mar de escolhos <br />
 Há de chamar por ti no anseio infindo. <br />
<br />
 Jamais, jamais, nos delicados folhos <br />
 Do coração como n'um ramo lindo, <br />
 Há de cantar teu nome entre os abrolhos <br />
 A ária gentil de meu sonhar já findo. <br />
<br />
 Não te perdôo, não! E em tardes claras, <br />
 Cheias de sonhos e delícias raras, <br />
 Quando eu passar à hora do Sol posto: <br />
<br />
 Não rias para mim que sofro e penso, <br />
 Deixa-me só neste deserto imenso... <br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto!<br />
<br />
<br />
NEVER MORE - II <br />
<br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver teu rosto! <br />
 E nem sequer o som de tua fala <br />
 Ouvir de manso à hora do Sol posto <br />
 Quando a Tristeza já do Céu resvala! <br />
<br />
 Talvez assim o fúnebre desgosto <br />
 Que eternamente a alma me avassala <br />
 Se transformasse n'um luar de Agosto, <br />
 Sonho perene que a Ventura embala. <br />
<br />
 Talvez o riso me voltasse à boca <br />
 E se extinguisse essa amargura louca <br />
 De tanta dor que a minha vida junca... <br />
<br />
 E, então, os dias de prazer voltassem <br />
 E nunca mais os olhos meus chorassem... <br />
 Ah! se eu pudesse nunca ver-te, nunca!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[OBRIGADA!]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22605</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:09:40 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22605</guid>
			<description><![CDATA[OBRIGADA! <br />
<br />
 A Nininha Andrade <br />
<br />
 ... E tu rezas por mim! Como agradeço <br />
 Essa esmola gentil de teu carinho... <br />
 Como as torturas de minh'alma esqueço <br />
 Nessa tua oração, floco de arminho! <br />
<br />
 Eu te bendigo, ó santa que estremeço, <br />
 Alma tão pura como a flor do linho. <br />
 É tua prece à mágoa que padeço <br />
 Asa de pomba defendendo um ninho! <br />
<br />
 Reza, criança! Junta as mãos nevadas <br />
 E cerra as níveas pálpebras amadas <br />
 Sobre os teus olhos como um lindo véu... <br />
<br />
 Depois, nas asas de uma prece ardente, <br />
 Deixa cantar minh'alma docemente, <br />
 Deixa subir meu coração ao céu!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[OBRIGADA! <br />
<br />
 A Nininha Andrade <br />
<br />
 ... E tu rezas por mim! Como agradeço <br />
 Essa esmola gentil de teu carinho... <br />
 Como as torturas de minh'alma esqueço <br />
 Nessa tua oração, floco de arminho! <br />
<br />
 Eu te bendigo, ó santa que estremeço, <br />
 Alma tão pura como a flor do linho. <br />
 É tua prece à mágoa que padeço <br />
 Asa de pomba defendendo um ninho! <br />
<br />
 Reza, criança! Junta as mãos nevadas <br />
 E cerra as níveas pálpebras amadas <br />
 Sobre os teus olhos como um lindo véu... <br />
<br />
 Depois, nas asas de uma prece ardente, <br />
 Deixa cantar minh'alma docemente, <br />
 Deixa subir meu coração ao céu!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[RENASCIMENTO]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22604</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:09:15 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22604</guid>
			<description><![CDATA[RENASCIMENTO <br />
<br />
 A Olegária Siqueira <br />
<br />
 Manhã de rosas. Lá no etéreo manto, <br />
 O sol derrama lúcidos fulgores, <br />
 E eu vou cantando pela estrada, enquanto <br />
 Riem crianças e desabrocham flores. <br />
<br />
 Quero viver! Há quanto tempo, quanto! <br />
 Não venho ouvir na selva os trovadores! <br />
 Quero sentir este consolo santo <br />
 De quem, voltando à vida, esquece as dores. <br />
<br />
 Ouves, minh'alma? Que prazer no ninhos! <br />
 Como é suave a voz dos passarinhos <br />
 Neste tranqüilo e plácido deserto! <br />
<br />
 Ah! entre os risos da Natura em festa, <br />
 Entoa o hino da alegria honesta, <br />
 Canta o Te Deum, meu coração liberto!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[RENASCIMENTO <br />
<br />
 A Olegária Siqueira <br />
<br />
 Manhã de rosas. Lá no etéreo manto, <br />
 O sol derrama lúcidos fulgores, <br />
 E eu vou cantando pela estrada, enquanto <br />
 Riem crianças e desabrocham flores. <br />
<br />
 Quero viver! Há quanto tempo, quanto! <br />
 Não venho ouvir na selva os trovadores! <br />
 Quero sentir este consolo santo <br />
 De quem, voltando à vida, esquece as dores. <br />
<br />
 Ouves, minh'alma? Que prazer no ninhos! <br />
 Como é suave a voz dos passarinhos <br />
 Neste tranqüilo e plácido deserto! <br />
<br />
 Ah! entre os risos da Natura em festa, <br />
 Entoa o hino da alegria honesta, <br />
 Canta o Te Deum, meu coração liberto!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[ETERNA DOR]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22603</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:08:46 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22603</guid>
			<description><![CDATA[Alma de meu amor, lírio celeste, <br />
 Sonho feito de um beijo e de um carinho, <br />
 Criatura gentil, pomba de arminho, <br />
 Arrulhando nas folhas de um cipreste. <br />
<br />
 Ó minha mãe! Por que no mundo agreste, <br />
 Rola formosa, abandonaste o ninho? <br />
 Se as roseiras do Céu não têm espinhos, <br />
 Quero ir contigo, ó lírio meu celeste! <br />
<br />
 Ah! se soubesses como sofro, e tanto! <br />
 Leva-me à terra onde não corre o pranto, <br />
 Leva-me, santa, onde a ventura existe... <br />
<br />
 Aqui na vida - que tamanha mágoa! - <br />
 O próprio olhar de Deus encheu-se d'água... <br />
 Ó minha mãe, como este mundo é triste!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Alma de meu amor, lírio celeste, <br />
 Sonho feito de um beijo e de um carinho, <br />
 Criatura gentil, pomba de arminho, <br />
 Arrulhando nas folhas de um cipreste. <br />
<br />
 Ó minha mãe! Por que no mundo agreste, <br />
 Rola formosa, abandonaste o ninho? <br />
 Se as roseiras do Céu não têm espinhos, <br />
 Quero ir contigo, ó lírio meu celeste! <br />
<br />
 Ah! se soubesses como sofro, e tanto! <br />
 Leva-me à terra onde não corre o pranto, <br />
 Leva-me, santa, onde a ventura existe... <br />
<br />
 Aqui na vida - que tamanha mágoa! - <br />
 O próprio olhar de Deus encheu-se d'água... <br />
 Ó minha mãe, como este mundo é triste!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[NO JARDIM DAS OLIVEIRAS]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22602</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:08:25 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22602</guid>
			<description><![CDATA["Minh'alma é triste até à morte..." Doce, <br />
 Jesus falou... E o Nazareno santo <br />
 Chorava, como se a su'alma fosse <br />
 Um mar imenso de amargura e pranto. <br />
<br />
 Depois, silencioso, ele afastou-se <br />
 E foi rezar no mais sombrio canto. <br />
 Seu grande olhar formoso iluminou-se <br />
 Fitando o etéreo e estrelejado manto. <br />
<br />
 "Pai, tem piedade..." E sua vez plangente <br />
 Tremia, enquanto pelas trevas mudas <br />
 Baixava manso o triste olhar dolente. <br />
<br />
 Pobre Jesus! Como n'um sonho via: <br />
 Em cada sombra a traição de Judas, <br />
 Em cada estrela os olhos de Maria!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA["Minh'alma é triste até à morte..." Doce, <br />
 Jesus falou... E o Nazareno santo <br />
 Chorava, como se a su'alma fosse <br />
 Um mar imenso de amargura e pranto. <br />
<br />
 Depois, silencioso, ele afastou-se <br />
 E foi rezar no mais sombrio canto. <br />
 Seu grande olhar formoso iluminou-se <br />
 Fitando o etéreo e estrelejado manto. <br />
<br />
 "Pai, tem piedade..." E sua vez plangente <br />
 Tremia, enquanto pelas trevas mudas <br />
 Baixava manso o triste olhar dolente. <br />
<br />
 Pobre Jesus! Como n'um sonho via: <br />
 Em cada sombra a traição de Judas, <br />
 Em cada estrela os olhos de Maria!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[CREPÚSCULO]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22601</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:08:06 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22601</guid>
			<description><![CDATA[A Julia Lyra <br />
<br />
 O Angelus soa. Vagarosamente <br />
 A noite desce, plácida e divina. <br />
 Ouço gemer meu coração doente <br />
 Chorando a tarde, a noiva peregrina. <br />
<br />
 Há pelo Espaço um ciciar dolente <br />
 De prece em torno da Igrejinha em ruína... <br />
 Pássaros voam compassadamente; <br />
 Treme no galho a rosa purpurina... <br />
<br />
 E eu sinto que a tristeza vem suspensa <br />
 Sobre as asas da noite erma e sombria... <br />
 E que, n'essa hora de saudade imensa, <br />
<br />
 Rindo e chorando desce ao coração: <br />
 Toda a doçura da melancolia, <br />
 Todo o conforto da recordação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A Julia Lyra <br />
<br />
 O Angelus soa. Vagarosamente <br />
 A noite desce, plácida e divina. <br />
 Ouço gemer meu coração doente <br />
 Chorando a tarde, a noiva peregrina. <br />
<br />
 Há pelo Espaço um ciciar dolente <br />
 De prece em torno da Igrejinha em ruína... <br />
 Pássaros voam compassadamente; <br />
 Treme no galho a rosa purpurina... <br />
<br />
 E eu sinto que a tristeza vem suspensa <br />
 Sobre as asas da noite erma e sombria... <br />
 E que, n'essa hora de saudade imensa, <br />
<br />
 Rindo e chorando desce ao coração: <br />
 Toda a doçura da melancolia, <br />
 Todo o conforto da recordação.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[POBRE FLOR !]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22600</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:07:48 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22600</guid>
			<description><![CDATA[POBRE FLOR ! <br />
<br />
 Deu-m'a um dia antiga companheira <br />
 De tempinho feliz de adolescente; <br />
 E os meus lábios roçaram docemente <br />
 Pelas folhas da nívea feiticeira. <br />
<br />
 Como se apaga uma ilusão primeira, <br />
 Um sonho estremecido e resplendente, <br />
 Eu beijei-lhe a corola, rescendente <br />
 Inda mais que a da flor da laranjeira. <br />
<br />
 E como amava o seu formoso brilho! <br />
 Tinha-lhe quase essa afeição sagrada <br />
 Da jovem mãe ao seu primeiro filho. <br />
<br />
 Dei-lhe no seio uma pousada franca... <br />
 Mas, ai! depressa ela murchou, coitada! <br />
 Doce e mísera flor, cheirosa e branca!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[POBRE FLOR ! <br />
<br />
 Deu-m'a um dia antiga companheira <br />
 De tempinho feliz de adolescente; <br />
 E os meus lábios roçaram docemente <br />
 Pelas folhas da nívea feiticeira. <br />
<br />
 Como se apaga uma ilusão primeira, <br />
 Um sonho estremecido e resplendente, <br />
 Eu beijei-lhe a corola, rescendente <br />
 Inda mais que a da flor da laranjeira. <br />
<br />
 E como amava o seu formoso brilho! <br />
 Tinha-lhe quase essa afeição sagrada <br />
 Da jovem mãe ao seu primeiro filho. <br />
<br />
 Dei-lhe no seio uma pousada franca... <br />
 Mas, ai! depressa ela murchou, coitada! <br />
 Doce e mísera flor, cheirosa e branca!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[NOEMI]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22599</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:07:25 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22599</guid>
			<description><![CDATA[Eu quisera saber em que ela pensa, <br />
 Esta mimosa e santa criatura <br />
 Quando indeciso o seu olhar procura <br />
 Alguma estrela pelo Azul suspensa; <br />
<br />
 E que tristeza, indefinida, imensa, <br />
 Do seu olhar na flama, ardente e pura, <br />
 Intérmina e suave se condensa <br />
 Como as brumas no Céu em noite escura. <br />
<br />
 Pobre criança! Que infinita mágoa <br />
 Punge-te o seio e te anuvia os olhos <br />
 - Benditos olhos sempre rasos d'água! - <br />
<br />
 Choras... E o mundo te oferece flores... <br />
 Deixa os espinhos, lágrimas e abrolhos, <br />
 Só para mim, que só conheço dores!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Eu quisera saber em que ela pensa, <br />
 Esta mimosa e santa criatura <br />
 Quando indeciso o seu olhar procura <br />
 Alguma estrela pelo Azul suspensa; <br />
<br />
 E que tristeza, indefinida, imensa, <br />
 Do seu olhar na flama, ardente e pura, <br />
 Intérmina e suave se condensa <br />
 Como as brumas no Céu em noite escura. <br />
<br />
 Pobre criança! Que infinita mágoa <br />
 Punge-te o seio e te anuvia os olhos <br />
 - Benditos olhos sempre rasos d'água! - <br />
<br />
 Choras... E o mundo te oferece flores... <br />
 Deixa os espinhos, lágrimas e abrolhos, <br />
 Só para mim, que só conheço dores!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[PÁGINA TRISTE]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22598</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:07:05 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22598</guid>
			<description><![CDATA[Há muita dor por este mundo a fora <br />
 Muita lágrima à toa derramada; <br />
 Muito pranto de mãe angustiada <br />
 Que vem saudar o despontar da aurora! <br />
<br />
 Alma inocente só de amor cercada <br />
 A criancinha a soluçar descora, <br />
 Talvez no berço onde o menino chora <br />
 Também, oh Dor, tu queiras, desolada, <br />
<br />
 Erguer um trono, procurar guarida... <br />
 Foge do berço! Não magoes a vida <br />
 D'esta ave implume, lirial botão... <br />
<br />
 Queres um ninho, um carinhoso abrigo? <br />
 Pois bem! Procura-o neste seio amigo, <br />
 Dentro em minh'alma, aqui no coração!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Há muita dor por este mundo a fora <br />
 Muita lágrima à toa derramada; <br />
 Muito pranto de mãe angustiada <br />
 Que vem saudar o despontar da aurora! <br />
<br />
 Alma inocente só de amor cercada <br />
 A criancinha a soluçar descora, <br />
 Talvez no berço onde o menino chora <br />
 Também, oh Dor, tu queiras, desolada, <br />
<br />
 Erguer um trono, procurar guarida... <br />
 Foge do berço! Não magoes a vida <br />
 D'esta ave implume, lirial botão... <br />
<br />
 Queres um ninho, um carinhoso abrigo? <br />
 Pois bem! Procura-o neste seio amigo, <br />
 Dentro em minh'alma, aqui no coração!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Tudo o que é puro, santo e resplendente]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22597</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:06:47 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22597</guid>
			<description><![CDATA[Tudo o que é puro, santo e resplendente, <br />
 N'este mundo cruel de desenganos, <br />
 Toda a ventura dos primeiros anos <br />
 N'um'alma que desabrocha sorridente; <br />
<br />
 Tudo o que ainda vemos de potente <br />
 Na vastidão sem fim dos oceanos, <br />
 E da terra nos prantos soberanos <br />
 Trazidos pela aurora refulgente; <br />
<br />
 Tudo o que desce do infinito ousado: <br />
 O sol, a brisa, o orvalho prateado, <br />
 A luz do amor, do bem, das esperanças; <br />
<br />
 Tudo, afinal, que vem do Céu dourado <br />
 A despertar o coração magoado, <br />
 - Deus encerrou nos olhos das crianças!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Tudo o que é puro, santo e resplendente, <br />
 N'este mundo cruel de desenganos, <br />
 Toda a ventura dos primeiros anos <br />
 N'um'alma que desabrocha sorridente; <br />
<br />
 Tudo o que ainda vemos de potente <br />
 Na vastidão sem fim dos oceanos, <br />
 E da terra nos prantos soberanos <br />
 Trazidos pela aurora refulgente; <br />
<br />
 Tudo o que desce do infinito ousado: <br />
 O sol, a brisa, o orvalho prateado, <br />
 A luz do amor, do bem, das esperanças; <br />
<br />
 Tudo, afinal, que vem do Céu dourado <br />
 A despertar o coração magoado, <br />
 - Deus encerrou nos olhos das crianças!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[PASSANDO]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22596</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:06:22 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22596</guid>
			<description><![CDATA[Ao Dr. Celestino Wanderley, em agradecimento à sua Morte de Cecy <br />
<br />
 Quando me vêem passar risonha e calma, <br />
 Sem um pesar que me anuvie a fronte, <br />
 Perdido o olhar na curva do horizonte, <br />
 Cuidam que eu tenho o paraíso n'alma. <br />
<br />
 Mesmo encontrei quem me dissesse um dia: <br />
 "Invejo-te a existência descuidosa." <br />
 Como se espinhos não tivesse a rosa, <br />
 Ou fosse a vida isenta de agonia! <br />
<br />
 Porém, enquanto, desdenhosa, altiva, <br />
 Eu vou passando, alegre ou pensativa... <br />
 A rir, a rir, como um feliz demente, <br />
<br />
 Meu pobre coração dentro do peito <br />
 - Triste doente a agonizar no leito - <br />
 Vai soluçando dolorosamente...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Ao Dr. Celestino Wanderley, em agradecimento à sua Morte de Cecy <br />
<br />
 Quando me vêem passar risonha e calma, <br />
 Sem um pesar que me anuvie a fronte, <br />
 Perdido o olhar na curva do horizonte, <br />
 Cuidam que eu tenho o paraíso n'alma. <br />
<br />
 Mesmo encontrei quem me dissesse um dia: <br />
 "Invejo-te a existência descuidosa." <br />
 Como se espinhos não tivesse a rosa, <br />
 Ou fosse a vida isenta de agonia! <br />
<br />
 Porém, enquanto, desdenhosa, altiva, <br />
 Eu vou passando, alegre ou pensativa... <br />
 A rir, a rir, como um feliz demente, <br />
<br />
 Meu pobre coração dentro do peito <br />
 - Triste doente a agonizar no leito - <br />
 Vai soluçando dolorosamente...]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[Natal]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22595</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:06:02 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22595</guid>
			<description><![CDATA[às moças da Serra<br />
<br />
 É meia noite ... O sino alvissareiro, <br />
 Lá da igrejinha branca pendurado, <br />
 Como n'um sonho místico e fagueiro, <br />
 Vem relembrar o tempo do passado. <br />
<br />
 Ó velho sino, ó bronze abençoado, <br />
 Na alegria e na mágoa companheiro! <br />
 Tu me recordas o sorrir primeiro <br />
 De menino Jesus imaculado. <br />
<br />
 E enquanto escuto a tua voz dolente, <br />
 Meu ser que geme dolorosamente <br />
 Da desventura, aos gélidos açoites ... <br />
<br />
 Bebe em teus sons tanta alegria, tanta! <br />
 Sino que lembras uma noite santa, <br />
 Noite bendita mais que as outras noites!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[às moças da Serra<br />
<br />
 É meia noite ... O sino alvissareiro, <br />
 Lá da igrejinha branca pendurado, <br />
 Como n'um sonho místico e fagueiro, <br />
 Vem relembrar o tempo do passado. <br />
<br />
 Ó velho sino, ó bronze abençoado, <br />
 Na alegria e na mágoa companheiro! <br />
 Tu me recordas o sorrir primeiro <br />
 De menino Jesus imaculado. <br />
<br />
 E enquanto escuto a tua voz dolente, <br />
 Meu ser que geme dolorosamente <br />
 Da desventura, aos gélidos açoites ... <br />
<br />
 Bebe em teus sons tanta alegria, tanta! <br />
 Sino que lembras uma noite santa, <br />
 Noite bendita mais que as outras noites!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[CAMINHO DO SERTÃO]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22594</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:05:41 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22594</guid>
			<description><![CDATA[A meu irmão João Cancio <br />
<br />
 Tão longe a casa! Nem sequer alcanço <br />
 Vê-la através da mata. Nos caminhos <br />
 A sombra desce; e, sem achar descanso, <br />
 Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos! <br />
<br />
 É noite já. Como em feliz remanso, <br />
 Dormem as aves nos pequenos ninhos... <br />
 Vamos mais devagar... de manso e manso, <br />
 Para não assustar os passarinhos. <br />
<br />
 Brilham estrelas. Todo o céu parece <br />
 Rezar de joelhos a chorosa prece <br />
 Que a Noite ensina ao desespero e a dor... <br />
<br />
 Ao longe, a Lua vem dourando a treva... <br />
 Turíbulo imenso para Deus eleva <br />
 O incenso agreste da jurema em flor.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A meu irmão João Cancio <br />
<br />
 Tão longe a casa! Nem sequer alcanço <br />
 Vê-la através da mata. Nos caminhos <br />
 A sombra desce; e, sem achar descanso, <br />
 Vamos nós dois, meu pobre irmão, sozinhos! <br />
<br />
 É noite já. Como em feliz remanso, <br />
 Dormem as aves nos pequenos ninhos... <br />
 Vamos mais devagar... de manso e manso, <br />
 Para não assustar os passarinhos. <br />
<br />
 Brilham estrelas. Todo o céu parece <br />
 Rezar de joelhos a chorosa prece <br />
 Que a Noite ensina ao desespero e a dor... <br />
<br />
 Ao longe, a Lua vem dourando a treva... <br />
 Turíbulo imenso para Deus eleva <br />
 O incenso agreste da jurema em flor.]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[BENDITA]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22593</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:04:48 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22593</guid>
			<description><![CDATA[Bendita sejas, minha mãe, bendito <br />
 Seja o teu seio, imaculado e santo, <br />
 Onde derrama as gotas de seu pranto <br />
 Meu dolorido coração aflito. <br />
<br />
 Ó minha mãe, ó anjo sacrossanto, <br />
 Bendito seja o teu amor, bendito! <br />
 Ouve do Céu o amargurado grito <br />
 Cheio da dor de quem soluça tanto. <br />
<br />
 E deixa que repouse em teus joelhos <br />
 A minha fronte, ouvindo os teus conselhos <br />
 Longe do mundo, ó sempiterna dita! <br />
<br />
 Envia lá do céu no teu sorriso <br />
 A morte que levou-te ao Paraíso... <br />
 Bendita sejas, minha mãe, bendita!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[Bendita sejas, minha mãe, bendito <br />
 Seja o teu seio, imaculado e santo, <br />
 Onde derrama as gotas de seu pranto <br />
 Meu dolorido coração aflito. <br />
<br />
 Ó minha mãe, ó anjo sacrossanto, <br />
 Bendito seja o teu amor, bendito! <br />
 Ouve do Céu o amargurado grito <br />
 Cheio da dor de quem soluça tanto. <br />
<br />
 E deixa que repouse em teus joelhos <br />
 A minha fronte, ouvindo os teus conselhos <br />
 Longe do mundo, ó sempiterna dita! <br />
<br />
 Envia lá do céu no teu sorriso <br />
 A morte que levou-te ao Paraíso... <br />
 Bendita sejas, minha mãe, bendita!]]></content:encoded>
		</item>
		<item>
			<title><![CDATA[LÁGRIMAS]]></title>
			<link>https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22592</link>
			<pubDate>Sat, 20 Oct 2012 14:04:23 +0200</pubDate>
			<dc:creator><![CDATA[<a href="https://sonett-forum.de/member.php?action=profile&uid=1">ZaunköniG</a>]]></dc:creator>
			<guid isPermaLink="false">https://sonett-forum.de/showthread.php?tid=22592</guid>
			<description><![CDATA[A meu irmão João Câncio <br />
<br />
 Eu não sei o que tenho... Essa tristeza <br />
 Que um sorriso de amor nem mesmo aclara, <br />
 Parece vir de alguma fonte amara <br />
 Ou de um rio de dor na correnteza. <br />
<br />
<br />
 Minh'alma triste na agonia presa, <br />
 Não compreende esta ventura clara, <br />
 Essa harmonia maviosa e rara <br />
 Que ouve cantar além, pela devesa. <br />
<br />
 Eu não sei o que tenho... Esse martírio, <br />
 Essa saudade roxa como um lírio, <br />
 Pranto sem fim que dos meus olhos corre, <br />
<br />
 Ai, deve ser o trágico tormento, <br />
 O estertor prolongado, lento, lento, <br />
 Do último adeus de um coração que morre...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[A meu irmão João Câncio <br />
<br />
 Eu não sei o que tenho... Essa tristeza <br />
 Que um sorriso de amor nem mesmo aclara, <br />
 Parece vir de alguma fonte amara <br />
 Ou de um rio de dor na correnteza. <br />
<br />
<br />
 Minh'alma triste na agonia presa, <br />
 Não compreende esta ventura clara, <br />
 Essa harmonia maviosa e rara <br />
 Que ouve cantar além, pela devesa. <br />
<br />
 Eu não sei o que tenho... Esse martírio, <br />
 Essa saudade roxa como um lírio, <br />
 Pranto sem fim que dos meus olhos corre, <br />
<br />
 Ai, deve ser o trágico tormento, <br />
 O estertor prolongado, lento, lento, <br />
 Do último adeus de um coração que morre...]]></content:encoded>
		</item>
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